30 Maio 2011

2º Congresso Enfermagem Perioperatória

Parte 2 - Enfermeiros na Visão do Médico


 "Ainda os Enfermeiros"

Alguns já me disseram que as posições sobre a Enfermagem neste blog são incompletas e ambíguas.
Não pode ser de outra forma. O espaço seria insuficiente para uma dissertação mais séria, e o objectivo é apenas demonstrar uma visão diferente, limitada e geralmente temática, sobre uma determinada classe que me é próxima e complementar no dia-a-dia.

Em primeiro lugar, cada qual seguiu a profissão que bem entendia. Que eu saiba, isto já não funciona por castas nos dias de hoje, tivemos os mesmos concursos, e fomos distribuídos de acordo com critérios iguais para todos pelas vagas do Ensino Superior que estavam disponíveis, pela ordem que as regras ditavam, de acordo com as vocações de cada qual e respectivos resultados.

Quem foi para Medicina já sabia que não ia ter salário aos 21 anos como (à data) acontecia com os enfermeiros, não ia trabalhar por turnos, etc....
Por outro lado, sabia-se que, a prazo e depois de muito mais tempo de estudo, se teria melhor salário, bancos de 24 horas (conforme as Especialidades), e nessa fase dos 18 anos pouco mais....

Posto isto, não vou rematar com um "cada qual, a partir daí, deve viver com as competências das respectivas profissões".

Essas competências, já o escrevi, devem ser, e são, dinâmicas.
Concretamente, a questão da "prescrição", e dos "diagnósticos de Enfermagem". Grande parte da celeuma que isso causa na minha "Classe" se deve ao facto de julgarmos que o Enfermeiro se vai sentar em frente ao doente e, do alto dos seus 4 anos de curso, desatar a adivinhar qual a doença do doente, e como a deverá tratar, tal como um médico o faz após 6 anos de curso, 2 de Internato Geral e 4 a 6 de Especialização. Ou seja, que os Enfermeiros pretendem a mesma competência com metade a um terço da nossa formação.

Não é obviamente disso que se trata, e em vez de alguma facção radical-caviar da Enfermagem se dedicar a ressabiamentos foleiros acerca de um mal gerido complexo de inferioridade quanto aos médicos (o que é obrigatório acontecer quando ignoram competências alheias para as quais não estão nem de perto capazes de assegurar com qualidade semelhante), traduzidos muitas vezes em chavões próprios de mentecaptos, como a comparação de competências diferentes, logo incomparáveis, aproveitando-se sobretudo de alguma insatisfação na classe por problemas laborais decorrentes quase exclusivamente do excesso de profissionais (para as vagas existentes).

Em vez disso, dizia eu, deviam-se dedicar em explicar o que isso deve significar concretamente, para a devida definição das coisas e a melhoria subsequente dos cuidados aos doentes, que é no fundo o fim comum a que todos os profissionais sérios se deveriam dedicar, sejam médicos ou enfermeiros.

E é importante essa clarificação. "Diagnósticos de Enfermagem" e "Prescrições em Enfermagem" deveria ser, para simplificar, tudo aquilo que qualquer enfermeiro está cansado de saber, mas que tem que pedir ao médico para formalizar, quer o diagnóstico, quer a atitude a tomar em conformidade com o 1º.

O doente tem febre: o Enfermeiro deve dar o anti-pirético, após questionar o doente sobre possíveis alergias, não é necessário um médico para isso, e é ridículo que ainda assim seja nos dias que correm. Idem-aspas para inúmeros outros exemplos que poderia dar, como as obstipações, a gestão de sondas entéricas, vesicais, a gestão de analgésicos em cuidados paliativos, de perfusões de insulina em cuidados intensivos, com variações de acordo com o local em que cada qual está a trabalhar (uma Unidade de Paliativos difere duma de AVC's, que por sua vez é bem diferente de uma de Cuidados Intensivos Cardiológica ou Polivalente, por exemplo). Transportando para Consultas, as questões dos pensos, do tratamento das úlceras, do pé diabético, etc, etc....

No fundo, porque isto já vai longo, o que já acontece, informalmente, em todos os sítios que prezam por uma certa racionalidade na actuação prática, sem pedantices bacocas e delírios de autoridade sobre o conhecimento, que alguns colegas meus tristemente exibem, por outro lado e em contraponto aos radicais que referi antes....

Formalizar, portanto, o que já acontece informalmente nos sítios que trabalham bem.
Felizmente trabalho num sítio onde os médicos são muito bons, quer em qualidades médicas, quer nas pessoais, e os Enfermeiros são ainda melhores, e também nas duas vertentes. Ou seja: é muito fácil tudo isso que referi acima, dependemos todos uns dos outros, ajudamo-nos todos uns aos outros, fazemos tudo aquilo que sabemos e perguntamos o que não sabemos, acrescendo ainda por cima a isso tudo um desnecessário, ainda que sempre bem vindo, sentimento de profunda amizade e respeito uns pelos outros.

Gostamos de trabalhar juntos, mas também de estar juntos quando não trabalhamos. Bem como os "Auxiliares de Acção Médica", que se juntam assim a nós em todos os contextos e nos mesmos moldes.

Isso sim, é saber viver, e melhor ainda, saber trabalhar, bem e com gosto.
E pode acontecer em qualquer sítio, bastando para tal que não haja atritos entre "Classes" sem classe, mas tão só pessoas cheias de classe, ainda que de classes bem diversificadas....



Antes de mais não posso deixar de o felicitar pela forma como aborda os variados temas retratados neste blogue, pelas opiniões, pela fluência das palavras que até há bem pouco tempo desconhecia.

Felicitá-lo, em segundo lugar, pela visão que adopta perante os colegas de trabalho, sejam eles médicos, enfermeiros ou auxiliares. Dizer-lhe que o ambiente saudável em que trabalha e certamente faz por manter é, de facto, invejável a muitos outros serviços e até instituições.

Em terceiro lugar não posso deixar de considerar, como refere no início deste post, a visão redutora que tem da profissão de enfermagem. Ainda que melhor que muitos outros (aqueles que entram nas guerras do conhecimento), verdade é que mantém um desconhecimento da profissão da Enfermagem, como ela é HOJE, como ela está a crescer e a desenvolver-se. Culpa sua, duvido ser, provavelmente do que é transmitido pelos colegas. Sou Enfermeiro e venho discordar de algumas ideias expressas neste post e no anterior sobre a mesma temática.

ESCREVEU: "Diagnósticos de Enfermagem" e "Prescrições em Enfermagem" deveria ser, para simplificar, tudo aquilo que qualquer enfermeiro está cansado de saber, mas que tem que pedir ao médico para formalizar, quer o diagnóstico, quer a atitude a tomar em conformidade com o 1º."

Nada mais errado. Diagnósticos de enfermagem existem, não porque se baseiam naquilo que queremos fazer e temos de pedir ao médico para formalizar, MAS ANTES, tudo aquilo que decorre dos CONHECIMENTOS DA DISCIPLINA E CIÊNCIA DE ENFERMAGEM (algum do conhecimento sobreponível com o médico), que é, como se sabe, uma ciência AUTÓNOMA. Ora os diagnósticos não são mais que um problema identificado (alteração do padrão de eliminação) associado a uma manifestãção desse problema (reduzida ingesta hidríca, reduzida adesão à terapêutica,...). Segundo a linguagem CIPE, adoptada cada vez mais pelos enfermeiros, estes SÓ DIAGNOSTICAM AQUILO QUE PODEM RESOLVER AUTONOMAMENTE, logo nunca irão diagnosticar uma infecção urinária nem um cancro de qualquer espécie. Ora associadas a estes diagnósticos, estão também associadas prescrições de enfermagem, dirigidas ao doente e os outros colegas, sempre na esfera de autonomia do enfermeiro.

Os médicos tratam a doença, os enfermeiros tratam a pessoa com doença. E só aqui, vai uma ENORME diferença.

Neste contexto, o médico não formaliza NADA. Saiba apenas que formaliza a prescrição de medicamentos, exames complementares de diagnóstico e de um ou outro dispositivo acessório. Fora isso, aquilo que os enfermeiros fazem é da competência destes, na esfera do seu conhecimento próprio. Dos exemplos que dá, da febre, da obstipação, a analgesia, tudo isso, naturalmente considera, por defeito de formação, que se resolve com medicação. Saiba que, previa e complementarmente a medidas farmacológicas, existem centenas de intervenções de enfermagem que são usadas e, na maioria das vezes, nem sequer ouve falar delas. A medicação é um complemento de muito trabalho de enfermagem realizado e vice-versa.

Que me diga que muito deste conhecimento partiu da esfera estritamente médica, é verdade. que me diga que muitas destas coisas são demasiado simples, é verdade. que me diga que são feitas por outros profissionais de saúde, não devia ser verdade. Agora é também verdade que nenhum outro profissional combina conhecimentos de áreas tão abrangentes e mais que todos os outros na saúde nos últimos 30 anos, desenvolveu tanto as suas competências. Os enfermeiros crescem a um ritmo alucinante, a sua formação é cada vez mais completa, as competências são cada vez mais complexas e evoluem, como as médicas, de fisioterapia, dos nutricionistas e afins. Naturalmente algumas esbarram nas outras, os governos querem poupar e colocam auxiliares a fazer trabalho de enfermeiros e enfermeiros trabalho de médicos, sai mais barato dizem.

Mas é igualmente verdade, constata a OMS, as associações de saúde americas e inglesas (NHS), que os Enfermeiros, que prescrevem medicação (que não necessita de prescrição), garantem os mesmos ou melhores níveis de segurança, eficácia e satisfação que os médicos. A sério? Diz que está numa série de relatórios dos últimos 3 anos destes organismos.

E faz a diferença? Faz. Faz para todos aqueles com acessibilidade reduzida e que necessitam de atendimento básico e não o têm. Faz para aqueles que necessitam de um atendimento célere e por causa da espera e da má gestão hospitalar desenvolvem competências que poderiam ser evitadas com um atendimento atempado. Saiba que enfermeiros prescrevem nos EUA, Inglaterra, Canadá, Espanha e a tendência é para aumentar, pois os resultados são por demais positivos, especialmente para os DOENTES. Adiante, pois essa conversa é a de outros países e não do nosso e, honestamente, temos muitas competências para ver reconhecidas antes dessas.

O que nos leva aos enfermeiros "tradicionais" e os enfermeiros "hi-tech". Como constato, a sua grande pena leva-o a desejar que os enfermeiros se mantenham: "quem está junto do doente, é seu amigo e confidente, seu "tratador" naquilo que temos de mais íntimo e que é a nossa higiene pessoal, é seu monitor de parâmetros vitais e o primeiro passo no reconhecimento de sintomas e sinais, o interlocutor com outros actores (como médicos) e por isso na abordagem adequada subsequente e instituição do tratamento apropriado."

Somos isso tudo, mas muito mais. Os registos ridiculamente extensos que produzimos (extensos porque ainda não informatizados) são fundamentais pois baseiam a continuidade de cuidados e transmissão de informação (que tanto prezamos por se tratar de algo indispensável ao tratamento correcto dos doentes) e baseiam a protecção legal face a erros, acidentes e outros que tais (e não o encobrimento dos amiguinhos e vamos ficar todos calados para ver se isto não dá em nada). Aquilo que registamos traduz-se em responsabilização pelo que fazemos, bem ou mal, e representa a seriedade com que tratamos cada doente. Traduz também a necessidade de demonstrar que somos verdadeira e visivelmente responsáveis por um conjunto enorme de ganhos em saúde para os doentes, hospitais e economia nacionais.

Como sabe a quase totalidade do financiamento dos hospitais é baseado em actos médicos, com alguma contabilização lateral do que fazem os outros profissionais. Não existe reconhecimento tácito do que estes fazem, daí ser necessário demonstrar por A+B que a cirurgia do Sr. António não foi a única coisa que lhe trouxe ganhos em saúde: as competências dos enfermeiros de hoje em dia foram capazes de prevenir complicações graves no período de recobro e internamento, os diagnósticos e prescrições de enfermagem permitiram optimizar e melhorar exponencialmente a recuperação do mesmo, permitiram-lhe gerir autonomamente o regime terapeutico, saber quais os cuidados a ter quando regressar a casa, entre tantas tantas outras coias, que nenhum médico, medicamento ou profissional de saúde faz.

Se quiser saber verdadeiramente o que é a Enfermagem e o que fazem os enfermeiros tem de tirar um curso de Enfermagem. Não meu amigo, não pode nem sabe fazer o que um enfermeiro faz, por mais simples que lhe pareça. Seria um risco para si e para aqueles que cuida.

Sabe que somos complementares. Sabe que somos importantes nalgumas funções no decurso da doença.

Saiba, já que pode não ter essa noção, que somos indispensáveis nos cuidados de saúde. Saiba que são precisos (é a ministra que o diz, não sou eu) mais de 3000 enfermeiros nos cuidados de saúde primários (para prestar cuidados de proximidade, educação para a saúde, promoção da saúde, cuidados ao domicílio - que previnem as doenças, evitam os internamentos e as complicações quando os doentes vão com alta para casa e escusam cuidados altamente tecnológicos e caros de hospitais) e mais de 5000 nos hospitais (LOGO, AO CONTRARIO DO QUE PENSA, NÃO SÃO PRECISOS MENOS ENFERMEIROS); saiba que SALVAMOS VIDAS TODOS OS DIAS, que prestamos cuidados COMPLEXOS E DIFERENCIADOS, que poupamos aos hospitais, aos contribuintes, ao estado muito dinheiro, AOS DOENTES MUITO SOFRIMENTO ESCUSADO por má avaliação da equipa de saúde, erros médicos, pormenores fundamentais descurados.

Faça uma experiência: mande os enfermeiros embora durante um fim-de-semana e apareça nos locais de trabalho na segundo de manhã. Muitos doentes estarão mortos: afogados no próprio vómito, comida, água; caídos no chão, numa poça de sangue pela cabeça partida. Outros a gritar, dores incontroláveis que o Dr. acha que passam muito bem só com paracetamol, outros magros que nem um caniço porque ninguém os incetivou a comer, todos eles sujos, fedorentos, alagados nas fraldas da própria urina e em feridas e escaras de tão incríveis por em apenas 2 dias se terem formado; poucos tomaram a medicação, e, quem lha deu, não tomou em consideração sinais vitais e outros parâmetros (tendo alguns morrido por complicações associadas) ou então enganou-se a administrar o que quer que fosse. Nos cuidados intensivos, TODOS ELES MORTOS, NÃO ESCAPA NEM UM. Na reabilitação todos deitados na caminha, a fazer pneumonias de estase e a gerar anquiloses; na psiquiatria uns quantos a atacar os outros, a roubar, violar, agredir quem quer que encontrem. Muito apocalíptico? Tire o curso e exerça enfermagem para ver que, em 2 dias, a sua opinião sobre a profissão nunca mais seria a mesma.

Somos precisos, mas não somos respeitados. Por doentes, por colegas seus, por políticos, pela sociedade em geral. Temos um problema grande de excesso de vagas. A goludice de uns sobrepos-se aos interesses de toda a classe. Mas sabe bem e deve ser divulgado, de tão estranho ser, quando um "maluco" de um político vem dizer que, no decurso da doença, o que foi verdadeiramente o impressionou, condicionou e influenciou o decurso da doença e do modo como lidou com ela não foi o médico A ou B, ou a Radio ou a Quimio (aos quais não tiro a importância que, naturalmente, lhes é devida), foram sim os Enfermeiros.

Quanto menos enfermeiros, maior risco há para a saúde, piores cuidados de saúde existem, maiores dificuldades se avizinham. Precisamos sim de mais enfermeiros. Tendo quatro doentes distribuidos para um enfermeiro, cada doente que acrescenta nessa distribuição aumenta em 7% o risco de ocorrer uma complicação grave e potencialmente mortal em qualquer um dos doentes. Quanto maiores os apregoados rácios enfermeiro-doente, maior o risco de morbilidade e mortalidade (os estudos estão online). VEJA LÁ QUE AFINAL AS PRESCRIÇÕES DOS ENFERMEIROS, SEM SEREM FORMALIZADAS PELO MÉDICO, ATÉ SÃO IMPORTANTES...

Um abraço e mantenha o espírito positivo e de partilha. Espero com isto ter contribuído para lhe ampliar ainda mais a visão da profissão!

28 Maio 2011

SIADAP para os Médicos...." e os Enfermeiros, pá...” ??


À semelhança dos restantes trabalhadores da administração pública, os médicos vão passar a ser avaliados pelo SIADAP já no próximo ano de 2012.

Quanto aos Enfermeiros que começaram a negociar a carreira, muito antes, ficaram mais uma vez em Banho Maria.

Estranho o silêncio das associações e entidades que representam os Enfermeiros??

Para os desatentos recordo que este SIADAP para a classe Médica foi publicada em Diário da Republica por um Governo de Gestão. Este tipo de VISIBILIDADE E COMPROMISSO, só está mesmo ao alcance de alguns!

Em suma e de acordo com o Documento publicado em D.R a atitude profissional e comunicação dos médicos nomeadamente perante os doentes vai ser um dos parâmetros obrigatórios na avaliação de desempenho da classe, que só terá efeitos práticos em 2012, de acordo com a portaria que procede à adaptação do Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho (SIADAP) aos trabalhadores integrados na carreira especial médica.

fonte: Cogitare em Saúde

27 Maio 2011

Enfermeiros na visão do Médico



Isto a propósito de uma mensagem que muito me entristeceu, e que recebi, por mail, proveniente de uma amiga enfermeira, que a deve ter reencaminhado para a sua lista de contactos, e da qual constava mais ou menos o seguinte: era intitulada "os enfermeiros também contam!" ou algo do género, e era o link para um vídeo acerca do irmão alucinado do Paulo Portas que, após internamento relacionado com um cancro, fez um elogio sentido à classe de enfermagem publicamente, num canal qualquer de televisão.

O que me entristeceu não foi, obviamente, o elogio não se ter dirigido principalmente ao médico que o tratou, e muito menos o facto de ter feito o elogio a essa classe que tanto admiro.

O que realmente me deixa perplexo é tudo aquilo que terá levado a baixar a auto-estima a esta representante da classe, ao ponto de publicitar o referido vídeo, como se fosse de estranhar que o papel do enfermeiro fosse reconhecidamente importante, quando eu sei que ela está cansada de saber que conta, e muito, no Serviço onde trabalha, e onde ninguém consegue fazer como ela o seu papel.

E isto leva-me a um considerando acerca da ânsia que alguma franja da classe dos enfermeiros terá na aquisição de competências diversas, que os aproximarão mais aos médicos, afastando-os ao mesmo tempo mais da enfermagem tradicional, como eu a reconheço. Essa franja deve alimentar-se dessas dúvidas que pairam sobre alguns, da importância do seu papel nos cuidados de saúde. Do seu papel tal como ele existe HOJE!

O bom enfermeiro, hoje, é quem está junto do doente, é seu amigo e confidente, seu "tratador" naquilo que temos de mais íntimo e que é a nossa higiene pessoal, é seu monitor de parâmetros vitais e o primeiro passo no reconhecimento de sintomas e sinais, o interlocutor com outros actores (como médicos) e por isso na abordagem adequada subsequente e instituição do tratamento apropriado. E isso, não é feito por mais ninguém que não ele. Nem se coaduna com registos ridiculamente extensos que preenchem o tempo de quem devia era estar junto dos que precisam dele, nem com esticar de "ratios", nem com mais esta ou aquela competência.

E porquê? Porque "isto" que devia acontecer, já é trabalho tempo inteiro, que facilmente preenche o horário de qualquer profissional de enfermagem!

Não se deve, por outro lado, confundir a desvalorização em termos salariais (e nunca de importância da profissão) da classe, com a necessidade da sua reforma. O que se passa é que não precisamos de tantos enfermeiros, e não que precisamos de novos sub-tipos de enfermeiros (idem aspas com os médicos, cuja única diferença é que se têm defendido melhor em termos de formação desenfreada de elementos no ensino Superior).

O pior que podia acontecer era termos enfermeiros com competências, logo defeitos, que os tornassem mais parecidos com os médicos, sem que com isso fossem médicos (ou tornando-se assim "médicos de segunda"), acrescendo a perda de qualidades que são exclusivas dos enfermeiros (ficando, ainda por cima, "enfermeiros de segunda"...).

Os doentes, e todos os sistemas de saúde, precisam dos enfermeiros. Destes, que já existem há muito, por serem precisos e preciosos. Julgo não ser preciso inventar nada. Apenas valorizar o que somos e temos, sem complexos infundados de inferioridade, devidos a razões que nada têm a ver com a essência da profissão em si, de nobreza imaculada.

Oxalá eu tenha um enfermeiro assim para tratar de mim um dia, quando precisar. E não um desses hi-tech que alguns estão a querer "inventar".

26 Maio 2011

Curso de Preparação para Entrevista de Emprego

Teoconsulting - Curso

fonte: http://www.teoconsulting.pt/

23 Maio 2011

Processo de recrutamento para Núcleos Regionais da Estrutura de Idoneidades da OE

Está a decorrer o processo de recrutamento de enfermeiros e enfermeiros especialistas para a constituição de Núcleos Regionais da Estrutura de Idoneidades da Ordem dos Enfermeiros (OE), uma estrutura profissionalizada criada no seio da OE e que, juntamente com a Comissão de Certificação de Competências, irá proceder à acreditação da idoneidade formativa dos contextos de prática clínica.

Serão preeenchidas, de forma faseada, as seguintes vagas:

Ponta Delgada - 2

Coimbra - 4

Funchal - 2

Porto - 4

Lisboa - 4

Mais informações no site da Ordem

22 Maio 2011

Comunicado SIPE

21 Maio 2011

Nem sempre é preciso ir a um médico...



A ministra da Saúde pede aos portugueses que pensem duas vezes antes de decidirem ir a uma consulta médica. Ana Jorge considera que nem sempre é preciso ser consultado por um médico e que nem sempre é preciso ser consultado por um médico especialista.


O bastonário da Ordem dos Médicos considera que as afirmações da ministra da Saúde são generalistas. É desta forma que José Manuel Silva começa por comentar as declarações em que Ana Jorge pede aos portugueses que pensem duas vezes antes de decidirem ir a uma consulta médica, porque nem sempre é preciso ser consultado por um médico. José Manuel Silva espera que Ana Jorge não pretenda substituir consultas médicas por contatos com outros profissionais de saúde que não têm a mesma preparação dos médicos e não podem dar a resposta adequada. O bastonário da Ordem dos Médicos defende que a ministra está a limitar-se a desculpabilizar a incapacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em determinados sectores.


A bastonária da Ordem dos Enfermeiros ficou satisfeita com a declaração da ministra da Saúde em que Ana Jorge afirmou que os portugueses devem pensar duas vezes antes de decidirem ir a uma consulta médica, porque nem sempre é preciso ser consultado por um médico. Maria Augusta Sousa afirma à Antena1 que os enfermeiros podem desempenhar muitas tarefas.

Ora Sra Bastonária, muito bem... mas espero que não fique pelas palavras... espero que já tenha marcado uma reunião com a Ministra para desenvolver um projecto a longo prazo de forma a dar mais capacidade de intervenção e decisão aos enfermeiros neste domínio. A Ordem dos Médicos já opinou e claramente rejeita a possibilidade de outros profissionais intervirem... Há que fazer entender e articular com a Ordem dos Médicos que não os pretendemos substituir mas complementar...tudo para que o SNS seja estruturado em função dos interesses e das necessidades do utente, da máxima capacidade de resposta e não em função de interesses corporativos...

20 Maio 2011

Recrutamento de Enfermeiros

Recrutamento Enfermeiros

19 Maio 2011

Portalenf.net

Fique a conhecer este Portal de Enfermagem

15 Maio 2011

CIF - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Workshop CIF -APER

14 Maio 2011

Situações indutoras de stress no trabalho dos enfermeiros em ambiente hospitalar

fonte: IP Viseu
autor: Maria da Conceição de Almeida Martins

Republicação da lista de Centros de Tratamento de Esclerose Múltipla e de Consultas de Neurologia de Esclerose Múltipla

fonte:DGS

11 Maio 2011

DIA 12 - DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO



ENFERMEIROS. QUEM SÃO? O QUE PODEM FAZER POR SI?

NO DIA INTERNACIONAL DO ENFERMEIRO FOMOS À PROCURA DAS RESPOSTAS.

 PROJECTO: ANA RITA CAVACO, IMAGEM: ARTUR LOUREIRO, EDIÇÃO: EM

                                                            

TV Enfermagem











Visitem www.tvenfermagem.com. Enfº Lázaro Prego fala sobre este projecto LINK

09 Maio 2011

Os mais aptos para dirigir internamentos são os Enfermeiros e os Médicos

Tenho recebido diversos mails de colegas a alertar para situações que colocam em risco a saúde das pessoas internadas na RNCCI e para o verdadeiro "atentado" à dignidade dos Enfermeiros que existe em várias instituições.

A situação na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) é simples de resumir, mas difícil de aceitar, isto é, se temos preocupação com as pessoas de quem cuidamos e orgulho na nossa profissão.

1 - O (A) Director (a) de cada Unidade pode ser um licenciado em Psicologia (que inclusivamente define o que é que um registo de Enfermagem deve conter, apesar do seu total desconhecimento sobre Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem); [depende da tipologia da unidade]

2 - Existem também uns ditos Supervisores (as) que no turno da manhã e tarde, vigiam o trabalho dos assistentes operacionais, podendo também fazer o mesmo sobre o trabalho dos Enfermeiros (apesar de serem licenciados/as não em Enfermagem, mas em Psicologia, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala);

3 - Existe um Enfermeiro/Enfermeira para 40 doentes (a maior parte acamados) no turno da Noite (um risco enorme para os utentes...se algum descompensa, como é?...e se forem 2 doentes?...);

4 - Os Enfermeiros só podem alimentar-se (almoço/jantar) no final de cada turno e após a passagem de turno (Surreal!);

5 - Os Enfermeiros são obrigados a fazer o acompanhamento dos utentes no transporte dos doentes da Unidade da RNCCI para o Hospital, mas a Unidade não assegura o transporte de volta dos Enfermeiros;

6 - A gestão do material de uso clínico não é feita pelo Enfermeiro(a)-Chefe mas sim pelo Director (a) (relembro licenciado (a) em Psicologia), havendo falta de material constantemente, com o prejuízo a reverter para o lado dos utentes (luvas, fraldas, material para pensos, etc);

7 - A distribuição dos Enfermeiros e Assistentes Operacionais em cada turno, é feita pelos Supervisores/as (relembro, licenciados(as) em Psicologia, Terapia da fala e Terapia Ocupacional);

8 - A definição dos rácios de Enfermeiros e Assistentes Operacionais é feita pelo (a) Director (a) (relembro licenciado (a) em Psicologia)

06 Maio 2011

26 e 27 Maio - Congresso Enf. Perioperatória - Guimarães

Inscrições e mais informações em congressoperiop.com

Congresso Enfermagem Perioperatória

03 Maio 2011

2.202.873,80 Euros

É este o valor da Rubrica de despesas da nossa ordem em:
- revista  +  envio aos enfermeiros
- cartas
- SIBS (pagamento de quotas)
- deslocações e estadias

Exijo que me esclareçam detalhadamente estas despesas, porque não aceito que gastem as nossas quotas de forma irresponsável e em serviços que não servem rigorosamente para nada. Até podia perder algum tempo a falar sobre cada sub-rubrica mas os enfermeiros já tiraram as suas conclusões. Caro colegas enviem as vossas opiniões sobre isto...

Ana Rita, uma candidata que demonstra dinamismo constante

Já está no site da candidatura (www.mudaroe.com) mais uma proposta da Nova Geração na Ordem dos Enfermeiros. É assente na utilização das Novas Tecnologias como forma de criar maior proximidade aos Enfermeiros, fomentar a participação e ouvir todos sem medo, como deve acontecer em Liberdade. 


Vejam a 5ª Proposta. Video-Conferência, Web-TV, Newsletter interactiva, Certificado Digital, entre outras novidades, está tido explicado na área de propostas do nosso site. Leiam e deixem a vossa opinião.


Ana Rita cavaco também esteve presente no Você na TV onde falou sobre o Tétano com o Dr. Francisco George, Director Geral da Saúde. Vejam o Vídeo

7 de Maio - Ana Rita Cavaco visita Viseu e Tondela

Ana Rita Cavaco - Viseu e Tondela

Divulgação CPLEESIP - ESS Cruz Vermelha Portuguesa

Edital 6 CPLEESIP 1112

Agora os Enfermeiros Usurpam funções...

É mais do que expectável de que a médio e longo prazo todas as profissões na área da saúde tentem definir o seu mercado de trabalho e as suas competências. Os podologistas, os fisioterapeutas, os cardiopneumologistas, os terapeutas ocupacionais, etc... Grandes lutas se avizinham e é necessário que a Enfermagem tenha esta visão do futuro para que vá delineando medidas/acções na Justica.

O SCTS já dá o primeiro passo e é apenas um sindicato. Agora pensem quando todas estas profissões tiverem a sua respectiva ORDEM PROFISSIONAL (é obvio que isso será a expectativa de todos os grupos profissionais). As acções judiciais de USURPAÇÃO DE FUNÇÕES serão uma constante nos tribunais e a guerra entre Ordens será muito difícil de gerir... Há que por mão em tudo isto...

A SCTS acusa os Enfermeiros Especialistas em Reabilitação de Usurpações das funções dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. A Sindicato dos Enfermeiros já deu a sua opinião. Esperamos a posição da APER.

circular - sindicato ciências tecnologias saúde

01 Maio 2011

Há enfermeiros em Portugal a querer prescrever e evoluir?

fonte: enviado como comentário (Quero desde já agradecer a opinião deste nosso leitor que não se identificou mas deu um excelente contributo)

Caros Colegas, quando se fala em enfermeiros prescritores, estamos a falar de um assunto que segundo o "NURSINGTIMES.NET" foi proposto pela primeira vez no Relatório da Coroa em 1989 (Ministério da Saúde Inglês, 1999). E que destacou o potencial do enfermeiro prescritor na melhoria dos cuidados e dos serviços, uso de recursos mais eficientes e aumento da satisfação dos clientes (Luker et al, 1997; 1998).

A prescrição complementar foi introduzida no Reino Unido em 2003 para melhorar o atendimento e tratamento de pessoas com o termo de condições de saúde de longa duração. Os prescritores complementares, prescrevem em parceria com um médico. Os prescritores complementares são um excelente exemplo de como tais abordagens flexíveis para a prestação de cuidados e os novos papéis profissionais podem contribuir para a qualidade dos serviços de saúde.

Em Abril de 2006 o Ministério da Saúde do Reino Unido, forneceu orientações para apoiar a implementação de enfermeiros e farmacêuticos na prescrição independente no inEngland NHS (DH, 2006). Estudos mostram que não há diferença nos resultados clínicos entre os fármacos prescritos por um enfermeiro e os prescritos por um médico (Mahoney, 1995; Mundinger et al, 2000). Estudos mais recentes dos EUA, sugerem que a qualidade do atendimento e a satisfação dos utentes pode aumentar quando os enfermeiros prescrevem, e acrescentam ainda que os enfermeiros de saúde mental estão capacitados em combinar a medicação com terapias psicológicas (Talley e Richens, 2001; Nolan et al, 2004).

No Reino Unido desde 2003, os enfermeiros a trabalhar no Birminghamand Solihull Mental Health NHS Trust têm conseguido prescrever medicamentos em parceria com um médico, no âmbito das suas práticas e no quadro complementar de prescrição. A confiança reconheceu este desenvolvimento significativo, o que teve um benefício para os utentes do serviço. E decidiu proceder a um estudo piloto para enfermeiros prescritores em saúde mental ao longo de um período de seis meses.

A esta iniciativa seguiu-se o anúncio formal do enfermeiro poder prescrever, desde que esse enfermeiro concluísse com êxito um curso reconhecido de uma prescrição não-médica. E agora os enfermeiros podem prescrever de forma independente (DH, 2005). Todas as respostas ao estudo, indicaram que os utentes estavam satisfeitos ou muito satisfeitos com o tratamento prescrito pelo enfermeiro. A grande maioria dos entrevistados (97%) indicaram que tinham confiança na capacidade e competência do enfermeiro, e 95% também indicaram que receber uma prescrição do enfermeiro tinha melhorado o seu acesso aos cuidados e tratamento. Mais de metade (53%) considerou que o serviço que eles tinham recebido era melhor do que o serviço prestado por um médico.

Um entrevistado comentou: "Minha enfermeira viu-me rapidamente..." Este facto parece estar associado ao facto de o cliente sentir que o enfermeiro lhe concedia mais tempo do que um médico, e que, como resultado tiveram mais tempo para fazer perguntas sobre o seu tratamento. Contudo, a maioria indicou que preferia um médico para reter a responsabilidade global. Os resultados sugerem que os enfermeiros prestam um tipo diferente de serviço a partir dos médicos e que os clientes estão satisfeitos e confortáveis com este serviço.

A prescrição de medicamentos é uma realidade presente na Europa, e nos EUA. Contudo para que os enfermeiros destes países conseguissem aqui chegar, foi necessário existir uma união da classe no sentido de querem assegurar mais essa competência. Em Espanha também já existem enfermeiros preparados para prescrever medicamentos. E em Portugal? Será que a enfermagem também quererá evoluir e desenvolver-se para esta realidade? Contribuir para a melhoria dos cuidados e indicadores, ou quererá ficar estagnada por mais 20 ou mais anos? E quando outras classes os ultrapassarem, nomeadamente os farmacêuticos, ou outros. Será que somos nós que estamos certos e os outros países errados??