26 Janeiro 2011

Aplicativo para PC - Enfermeiro Informado

O Enfermeiro Informado é um pequeno aplicativo que pode ser instalado no PC e que permite de uma forma rápida e eficaz aceder aos principais sites e blogs Portugueses de enfermagem. Desta forma podem estar a par das últimas notícias ou dar uma espreitadela nos sites de uma forma ainda mais rápida. Sem dúvida uma boa ferramenta.

Para usufruirem em pleno do programa devem instalar e selecionar "Run when windows starts". Desta forma o aplicativo ficará sempre disponível lateralmente ou no local selecionado/posicionado.

25 Janeiro 2011

Médicos são os profissionais da saúde com maior longevidade

fonte: Público

Os médicos são o grupo profissional com maior longevidade e dos que mais horas trabalham, com uma média de 56 horas por semana, revela um estudo sobre a saúde dos clínicos portugueses a divulgar na sexta-feira.

Da autoria do especialista em medicina do trabalho Álvaro Durão, o estudo, cujos resultados preliminares vão ser divulgados na sexta-feira no seminário “A Saúde dos Médicos e de Outros Profissionais de Saúde”, resultou de um inquérito enviado a 35.800 clínicos inscritos na Ordem dos Médicos, tendo sido validados cerca de 10 por cento das respostas.

Segundo o estudo, um terço dos médicos portugueses tem entre 45 e 54 anos, 25 por cento entre 55 e 64 anos, 16 por cento têm menos de 35 anos, um número que está a crescer, 10 por cento entre 35 e 44 anos e cinco por cento têm mais de 65 anos.

Falando sobre a saúde dos médicos em geral, Álvaro Durão disse à agência Lusa que são “o grupo profissional que tem maior longevidade”.

“Alguns autores sugerem que é porque têm estilos de vida e comportamentos mais saudáveis. Eu ponho outra hipótese: no fim da vida ou quando estão doentes têm maior atenção na doença”, adiantou o antigo coordenador do Programa da Saúde dos Trabalhadores da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por outro lado, como têm uma cultura de ensinar a viver e tratar os doentes, sofrem do "doctor syndrome", pensam que estão imunes à doença e sentem-se acima de qualquer risco, mas sobretudo nos riscos sociais, adiantou o especialista.

O estudo indica ainda que os médicos portugueses são dos grupos que mais trabalham. “Em média trabalham 56 horas por semana e além disso têm de estudar”, o que pode ter implicações na sua saúde, disse Álvaro Durão.

A maior fonte de receita dos médicos portugueses advém do salário auferido no Serviço Nacional de Saúde ou no sector privado, ao contrário de profissionais de outros países, como o Canadá, onde mais de 70 por cento afirma que os rendimentos são provenientes da “clínica livre”.

Outros resultados do estudo indicam que mais de 90 por cento dos profissionais estão satisfeitos com a sua profissão, ao contrário da população em geral.

O seminário “Saúde dos Médicos e de Outros Profissionais de Saúde” é organizado pelo Instituto de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Até a OMS já sugere que enfermeiros façam algumas tarefas médicas

fonte: RR

Relatório da Organização Mundial de Saúde é uma recomendação a Portugal.

Para fazer face à falta de médicos de família, a Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que os enfermeiros portugueses podem assumir algumas tarefas dos médicos. A recomendação surge num relatório que avalia o desempenho do sistema de saúde português e no qual se diz que a gestão dos recursos humanos é um desafio à sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

O relatório diz que temos tantos médicos por habitante como os países comunitários mais desenvolvidos, ao contrário do que acontece com o número de enfermeiros, que em Portugal ainda está muito abaixo da média comunitária.

No caso dos médicos, o problema é a sua distribuição por especialidade: desde 1995, temos cada vez mais especialistas, enquanto o número de clínicos gerais é cada vez menos e está a diminuir há já 25 anos.

O remédio, num país que tem um enfermeiro e meio por cada médico nos hospitais - diz a OMS - é passar aos enfermeiros algumas tarefas que são actualmente exclusivas dos médicos de família.

Não se dão exemplos, mas diz-se que se for feito de forma cautelosa, será um caminho eficaz e pouco dispendioso de compensar a falta de clínicos gerais, com vantagens na satisfação dos utentes e mesmo dos profissionais.

Medidas de curto prazo, como o recurso a médicos estrangeiros, acrescenta o relatório, não serão suficientes porque a situação vai piorar.

Só no ano passado, reformaram-se 600 médicos. Este relatório diz que 20% dos médicos portugueses vão fazer o mesmo nos próximos cinco anos e recorda outra grande porta de saída do SNS: o privado. Só entre 2006 e 2007 também foram 600 os médicos que passaram do sector público para o privado.

Aqui critica-se a falta de regras claras de separação, que podem ter efeitos perversos, e a falta de dados que permitam saber, por exemplo, quantos trabalham em simultâneo no público e no privado.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros defende que, mesmo sem ser uma forma de responder à falta de médicos de família, o alargamento das competências dos enfermeiros faz todo o sentido e dá como exemplos o acompanhamento de doentes crónicos e de grávidas, desde que não sejam situações de risco. Maria Augusta de Sousa admite ainda que este alargamento das competências defendido pela Organização Mundial de Saúde, para colmatar a falta de médicos de família, nunca foi discutido com a tutela.

Portugueses recebem menos duas horas de cuidados de enfermagem

fonte: rcmpharma

Os doentes internados nos hospitais públicos recebem menos duas horas de cuidados de enfermagem do que deviam. Dados recolhidos em 55 hospitais, em 2009, revelam que em 399 serviços de internamento daquelas unidades faltam 3335 enfermeiros, o que põe em causa a qualidade do atendimento, avança o Diário de Notícias.

O retrato é feito pelo próprio Ministério da Saúde num relatório da Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS), no qual admite a escassez destes profissionais no SNS. Um discurso que, até agora, não era assumido pela tutela e que, durante anos, foi contrariado por sindicatos e Ordem, sempre que reivindicavam o aumento de técnicos por serviço.

O estudo da ACSS revela que nos 55 hospitais analisados durante o ano de 2009 foram efectuadas 8,95 milhões de horas de cuidados prestados por enfermeiros. No entanto, a actividade e a procura no internamento justificavam mais 4,8 milhões de horas de trabalho: mais 53,4% das actuais.

A situação é tanto mais grave quanto se sabe que a adequação dos cuidados de enfermagem às necessidades dos utentes é essencial para se evitar erros. Aliás, vários estudos já permitiram concluir que se houver falta de profissionais há mais erros de medicação, úlceras de pressão e casos de infecção, chegando mesmo a aumentar a mortalidade dos doentes e o risco de acidentes, como quedas.

A bastonária dos enfermeiros, Maria Augusta Sousa, defende, por isso, o planeamento a médio e longo prazo dos recursos existentes no SNS. Apesar de os indicadores do Plano Nacional de Saúde mostrarem que há 551,3 profissionais por cem mil habitantes – acima da meta de 517,3 definida para 2010 -, a verdade é que nem todos estão a trabalhar no sector público. "Nos cuidados primários, por exemplo, para se reforçar uma unidade corta-se noutra."

Um estudo da Ordem também demonstra que, em 2009, foram definidas necessidades e metas de enfermagem abaixo das praticadas em 1996, apesar de a população residente ter aumentado em quase 538 mil pessoas nestes oito anos. Um dos exemplos referidos ao DN diz respeito aos centros de saúde da Grande Lisboa V (que inclui Odivelas) e para os quais estavam definidos 110 enfermeiros no quadro em 1996, mas apenas 79 em 2009. Outros dois agrupamentos estavam na mesma situação.

Maria Augusta Sousa diz haver necessidades a descoberto ou mal cobertas, ao mesmo tempo que surgem outras, como na área dos cuidados de proximidade, dos cuidados continuados e no ambulatório. Por exemplo, neste último tipo de cuidado, "os números estão subdimensionados. A experiência diz-nos isso, mas vamos estudar melhor a realidade". O conselho de enfermagem determinou que em cada unidade houvesse um mínimo de 13 a 26 enfermeiros, variável de acordo com o tipo de cuidado a prestar: convalescença ou paliativos, entre outros.

Mas a dotação destes profissionais por serviço está, finalmente, a ser analisada entre Ministério da Saúde e Ordem, através de um grupo de trabalho criado para este fim. No dia 27, os trabalhos devem ficar concluídos. E, até agora, "a posição da tutela é a de reconhecimento do problema e de que se tem de repensar a redistribuição de recursos", explicou ao DN a bastonária.

O número de profissionais deverá ser definido através de uma fórmula, que terá em conta o número de horas necessárias aos vários tipos de cuidados. "Estamos disponíveis para adaptar e reforçar os serviços em etapas. Sabemos que não será de um dia para o outro, pois a situação que o País atravessa não o permite. Globalmente, o processo está encerrado, mas queremos confirmar se há vontade política para o avaliar e fazer."

O DN contactou o ministério para obter um comentário à situação, mas foi-nos dito não ser "oportuno fazer comentários públicos antes de os trabalhos estarem concluídos".

15 Janeiro 2011

Dá-me vontade de rir mas...

Foi publicado o Decreto-Lei n.º 3/2011, de 6 de Janeiro, que institui um procedimento especial de obtenção do grau de especialista, através do reconhecimento da experiência profissional, por equiparação ao estágio da carreira de técnico superior de saúde.

Foi publicado o Decreto-Lei n.º 3/2011, de 6 de Janeiro, que institui um procedimento especial de obtenção do grau de especialista, através do reconhecimento da experiência profissional, por equiparação ao estágio da carreira de técnico superior de saúde, a que se refere o artigo 5.º do Decreto-Lei n.º 414/91, de 22 de Outubro, diploma legal alterado pelo Decretos-Leis n.os 240/93, de 8 de Julho, 241/94, de 22 de Setembro, 9/98, de 16 de Janeiro, 501/99, de 19 de Novembro, e 229/2005, de 29 de Dezembro.

Os interessados dispõem do prazo de 20 dias úteis, contados da data da entrada em vigor do referido Decreto-Lei, para se candidatarem ao presente procedimento, mediante requerimento dirigido ao presidente do júri do ramo respectivo e remetido à ACSS, I. P., pelo correio, com aviso de recepção, ou entregue pessoalmente.

O requerimento deverá ser formalizado através do formulário de candidatura e anexo específico (de acordo com o respectivo ramo de actividade), conforme modelos abaixo disponibilizados.

Podem rir-se ainda mais aqui

O Valor Económico e Social dos Cuidados de Enfermagem

fonte: DNoticias.pt

O Valor Económico e Social dos Cuidados de Enfermagem é o tema da conferência organizada pela Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros (OE) da Madeira.

"Os Cuidados e Enfermagem possuem um valor económico e social que, hoje em dia, é passível de, em grande parte, quantificar", considera, em comunicado, Élvio Jesus, representante da OE na Madeira. "De facto, o "Serviço de Enfermagem" nas diferentes organizações, ou seja, todos os recursos (humanos, materiais/equipamentos, financeiros, informacionais, etc.) afectos à prestação de cuidados de enfermagem, visto na perspectiva tradicional dos "gestores", apenas comporta custos, cujo preço, formulado com base nos factores de ponderação habituais, se tem mostrado insuficiente para os colmatar.

E, como habitualmente os critérios e os autores (sem a participação de Enfermeiros nem cidadãos / utentes) presentes em sede de contratualização de serviços e de financiamento da saúde são muito pouco "utente/enfermagem-sensíveis", fácil se torna convencer os políticos, os habituais decisores e os média de que os Enfermeiros, em vez de significarem mais e melhor saúde e, por conseguinte, investimento e mais-valias com retorno assegurado para todos, são considerados, de modo erróneo, como meros custos que urge, a todo o custo e por todos os meios, reduzir e controlar", conclui justificando a escolha do tema em abordagem.

O evento está agendado para o dia 22 de Janeiro, a partir das 9h30 na sede da OE e conta com a presença Fernando Amaral, Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.

A não perder... tenho a certeza que pelo menos não se falará de ética ...

04 Janeiro 2011

Um artigo bem pensado para ter visibilidade nos media

fonte: PUBLICO.PT
por: Ana Gomes Ferreira
Título: A medicina ainda fala pouco da vagina

"É interessante  como esta profissional conseguiu (com um artigo) dar visibilidade a uma possibilidade de tratamento/exercício promovido pelo Fisioterapeutas. Uma forma indirecta de dar visibilidade à Fisioterapia. "

O Sexo e a Cidade deu grandes lições às mulheres. Aprenderam que os Manolos são os melhores sapatos do mundo, que comprar uma Louis Vuitton é como comprar ouro, um investimento, que mostrar as alças do soutien é cool. Aprendemos coisas deCidade, portanto. Também houve lições de Sexo: o sémen de alguns homens tem cheiro, as mulheres ejaculam, um pénis largo dá mais prazer do que um comprido mas fininho.

Mas a maior lição de todas foi mais discreta.

Miranda: Qual é o grande mistério? A minha vagina, não a esfinge!

Por mais sofisticadas - no vestir, no falar, no beber, no namorar - que as mulheres sejam, a vagina continua a ser, para elas, uma desconhecida. Vai-se aprendendo um bocadinho de cada vez. Às vezes, quando tudo corre mal, tira-se um curso intensivo. E há tanta coisa que pode correr mal. Sobretudo se nos lembrarmos que a vagina é uma cavidade e está rodeada por músculos. No corpo, o que mais se parece com ela é a boca, diz Isabel Ramos, fisioterapeuta especializada nas áreas da obstetrícia ginecologia e pediatria.

"Uma das razões por que as mulheres sabem tão pouco da sua vagina é não a poderem ver. Mesmo usando um espelho, só podem ver por fora", explica a ginecologista e obstetra Teresinha Simões.

Não podem, ou não querem. "Quanto faço exames, tenho um aparelho e as pessoas podem ver, mas muitas mulheres não querem. Algumas não sabem que a vagina não é um buraco aberto e têm medo de perder um tampão ou um preservativo", diz esta médica.

Há duas explicações relacionadas que explicam tanto desconhecimento. A vagina está associada à sexualidade e esse ainda é um tema muito oculto na sociedade ocidental. Talvez por isso a medicina tenha demorado tanto tempo a falar dela, das suas funções e da sua saúde.

A verdade é que a maioria das mulheres não teve quem lhe explicasse que a vagina é uma mucosa rodeada de músculos. E se estes músculos (o pavimento pélvico) têm um papel sexual importante, também são eles que suportam o útero, a bexiga e o intestino. Por isso, temos que lhes dar atenção, como damos atenção aos músculos da barriga ou dos braços. E, ao longo de toda a vida, sobretudo se pensarmos que a vagina é o canal natural para ter filhos, quem planeia tê-los precisa de fortalecer a musculatura.

Rupturas e prolapsos
Quando há lesões musculares, os órgãos ficam fora do lugar e aparecem os problemas. Podem ocorrer rupturas de ligamentos, alargamentos da vagina e prolapsos do útero, da bexiga, do intestino e, nestes últimos casos, aparece a incontinência urinária ou fecal.

São múltiplos os factores que podem danificar os músculos do pavimento pélvico. Imaginemos uma mulher que trabalha numa grande cozinha e tem que carregar sacos de batatas e grandes panelões todo o dia; a força abdominal pode provocar danos. Também há factores genéticos. E o parto vaginal, sobretudo quando é prolongado e o bebé tem mais de quatro quilos. Às vezes, as mulheres nem dão por isso.

Há 13 anos, quando teve o primeiro filho, Maria Tomás acreditou que estava tudo normal. A roupa de antes da gravidez servia-lhe. Não tinha quebras de energia, falta de apetite sexual, dores... "Só sentia um incómodo. Por exemplo, quando vestia calças de ganga. Havia uma impressão, sentia-me mais larga, mais aberta."

O primeiro filho demorou oito horas a nascer. O parto, induzido às 40 semanas, não correu bem. O bebé era grande, mais de quatro quilos. Foi um parto vaginal. Com dois dedos de dilatação - conta Maria -, deram-lhe a epidural. "Estive oito horas com dores e sem dilatar. Foi horrível. Tiveram que me dar uma segunda epidural quando a dilatação aumentou e depois foi rápido. Mas eu nem sequer olhei para o bebé, só queria que aquilo acabasse."

A seguir, veio "o normal". Não são as próprias mulheres quem diz que depois de dar à luz nunca mais se é a mesma?

"Sim, achei que era mesmo assim."

E assim o "incómodo" permaneceu. Permaneceu quatro anos.

"Quando engravidei pela segunda vez, fiquei um mês de repouso. Tinha uma vida mais stressante, mais agitada, mas sobretudo tinha a "barriga" muito em baixo e, para não haver riscos, fiquei em descanso", conta Maria Tomás, que tem 43 anos e é redactora de publicidade.

A segunda experiência do parto, também vaginal e de outro bebé com mais de quatro quilos, foi o oposto à do primeiro filho. "No primeiro parto, ao todo, desde entrar na sala até me coserem, passei por sete pessoas. No segundo foi um único médico." Ele percebeu que alguma coisa estava mal. "Disse-me que me ia tratar melhor do que me tinham tratado no primeiro filho e explicou-me que me tinha cosido, que tinha "dado um jeito lá por dentro"", recorda Maria.O que lhe fez o médico e em que condições lhe encontrou o aparelho sexual e reprodutor não sabe ao certo. Nada lhe foi dito.

O que sabe: "A tal sensação de incómodo desapareceu logo e, a nível sexual, só depois é que percebi a diferença. Antes sentia desejo e prazer, mas parecia-me que era [a penetração e o acto sexual] fácil, parecia-me mesmo facilidade a mais. Depois fiquei a sentir muito mais prazer. O segundo parto rejuvenesceu-me. Até a nível sexual. Fiquei a sentir-me muito bem com o meu corpo."

O mais provável - e é apenas uma hipótese - foi o pavimento pélvico ter ficado lesionado e ter sofrido um prolapso do útero. O médico poderá ter reconstruído o pavimento pélvico, que ficou mais fechado, recolocando os órgãos no lugar certo.

Cirurgias
Há casos em que a cirurgia é a única opção, explica Teresinha Simões. "Mas só se os órgãos estiverem muito alterados", sublinha. Porque estas intervenções têm riscos. A vagina, como todas as outras partes do corpo humano, evolui ao longo da vida. É estreita e pequenina antes da primeira menstruação. No início da puberdade, as hormonas femininas tornam-na maior, mais rugosa (mais elástica) - é o período em que a vagina se adapta a possíveis maternidades. Na menopausa, atrofia. Na cirurgia é essencial ter em conta essa evolução, explica Teresinha Simões, para que a vagina não fique fechada de mais, o que pode provocar problemas após a menopausa ou dores durante as relações sexuais.

Estas cirurgias são feitas no Serviço Nacional de Saúde. Mas já se realizam em clínicas de medicina estética.

"Nunca fui procurado por mulheres com este problema", diz o cirurgião plástico Ibérico Nogueira. As cirurgias mais procuradas junto dos cirurgiões estéticos em Portugal, diz, têm mais a ver com alterações estéticas: a diminuição dos pequenos lábios, a lipoaspiração da zona púbica, a reconstrução do hímen...

Porém, Ibérico Nogueira já realizou cirurgias de reconstrução da vagina após danos causados por partos. Foi no Brasil, nos anos de 1970. "O meu pai, que era ginecologista, foi para o Brasil, quando já tinha 60 anos e este tipo de cirurgia era muito solicitada. Eu comecei a ajudar o meu pai, a minha ideia inicial era fazer a minha especialidade em ginecologia."

Ibérico Nogueira diz que muitas mulheres desconhecem que existem técnicas - cirúrgias e não cirúrgicas - para as ajudar a manter a sua saúde vaginal. "Há muita falta de informação e deveria haver mais divulgação por parte dos organismos. Trata-se de uma questão de saúde e qualidade de vida", defende o médico. As patologias da vagina podem provocar distúrbios físicos, mas também emocionais. Em último grau, podem "criar distúrbios na relação conjugal e mexer com a auto-estima".

Renato Natal, professor de Engenharia Mecânica na Faculdade do Porto e coordenador do Estudo de Valiação Biomecânica da Cavidade Pélvica da Mulher, explica que "os estudos epidemiológicos que existem indicam que estas patologias estão fortemente relacionadas [com o parto vaginal]. Mas não é causa única".

Teresinha Simões reforça: "A ideia de que partos estragam a vagina é um conceito recente que tem a ver com mitos." Sim, há uma correlação maior entre partos vaginais prolongados de bebés com grande peso e certas patologias, mas há mulheres que só fizeram cesarianas e que têm incontinências urinárias e prolapsos dos órgãos pélvicos. Se não imediatamente após terem filhos, anos depois. "E há freiras que nunca tiveram partos que têm prolapsos", refere a médica.Segundo Teresinha Simões, é errada a ideia de que a vagina não foi feita para o parto. "É um órgão elástico que foi programado para ter uma função sexual e para o parto", diz, considerando que em Portugal se realiza um número excessivo de partos por cesariana: uma média anual de 36 por cento na saúde pública, acima dos 60 por cento na saúde privada. "É muito."

Engenharia mecânica
Claro que há casos extremos. Há mulheres cujo útero sai para fora do corpo. Há vaginas que, por uma razão ou outra, ficam tão fragilizadas que dificilmente as paredes musculares mantêm a sua função. O estudo que Renato Natal dirige está, em parte, a procurar soluções para estes casos. Mas não só - procura sobretudo evitar patologias.

O estudo está a ser realizado desde 2003 e é uma colaboração entre a Faculdade de Engenharia do Porto, o Hospital de S. João, a Faculdade de Medicina do Porto e o Instituto de Medicina Legal. "Não existe muito conhecimento sobre os movimentos dos órgãos da cavidade pélvica da mulher", diz este professor.

Financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, esta investigação procura simular o que pode acontecer para provocar determinada patologia. "Fomos avaliar o esforço induzido nas estruturas do pavimento pélvico durante o parto vaginal. As simulações que fizemos em computador permitem identificar lesões", explica o engenheiro mecânico. O primeiro passo, claro, foi identificar a mecânica muscular de cada um dos órgãos e a mecânica dos seus movimentos. As simulações poderão, no futuro, ajudar os médicos a tomar decisões. Na posse de indicadores de probabilidades de risco sobre cada órgão e sobre o conjunto dos órgãos, o obstetra poderá decidir sobre como realizar um parto de forma a evitar que os riscos se tornem patologias.

Um próximo passo na investigação será dirigido aos casos que exigem cirurgia e que podem ou não ter sido provocados por partos vaginais. "A intervenção cirúrgica pode implicar a colocação de determinadas próteses, um tipo de malha, de forma a dar rigidez ao pavimento pélvico", explica Renato Natal. Os investigadores estão não só a trabalhar nessas próteses, como nos indicadores que permitirão ao clínico fazer opções.

Em contacto com outras equipas que realizam estudos similares, nos Estados Unidos, no Brasil ou na Alemanha, Renato Natal pode dizer que, por comparação, apesar de estar ainda longe de concluído, este é um estudo que já avançou bastante. "Não estarei a exagerar se disser que criámos um modelo único a nível mundial e, com ele, conseguimos fazer quantificações dos esforços do pavimento pélvico que outros grupos ainda não fizeram", conclui o professor da Faculdade de Engenharia do Porto.

Exercício e fisioterapia (o fundamento do artigo)Não admira que a mecânica do pavimento pélvico esteja tão pouco estudada na sociedade ocidental. A saúde vaginal (ou a falta dela), como explica Teresinha Simões, é um assunto cultural. Num congresso no Oriente, a ginecologista assistiu a uma sessão a lembrar o filme O Império dos Sentidos. Numa demonstração de exercícios para fortalecer os músculos do pavimento pélvico, mulheres lançaram bolas da vagina, mas não as lançavam para qualquer lado, conseguiam direccioná-las para dentro de recipientes. (Estas bolas chamam-se pesos vaginais e estão à venda.)

"Não há, na sociedade ocidental, o hábito de fazer exercícios. No Oriente é comum", conta a ginecologista.

A fisioterapeuta Isabel Ramos defende que os exercícios, designados por Kegel (a contracção dos lábios vaginais para dentro), devem ser feitos a partir da adolescência, após a primeira visita ao ginecologista. Se os músculos estiverem devidamente trabalhados, a vagina evoluirá mais saudavelmente. E, em caso de partos, a recuperação será mais rápida e eficaz. Os exercícios, frisam as duas especialistas, deveriam ser realizados por todas as mulheres, queiram ou não ter filhos. Mas Isabel Ramos concede que parte do problema começa na classe médica, até há pouco tempo pouco disponível para fazer este tipo de recomendações.Além destes exercícios, a manter ao longo da vida, existe a fisioterapia. São tratamentos não invasivos que devem ser considerados antes de se pensar em cirurgia. Isabel Ramos mostra uma sonda vaginal de fisioterapia (muito bem - e os enfermeiros têm algum equipamento exclusivo à enfermagem e com essa designação associada???) - semelhante a um tampão, tem uma ponta metálica por onde passa uma corrente eléctrica que provoca a contracção dos músculos.

Em França, Holanda, Bélgica e Alemanha, por exemplo, o Estado paga estes tratamentos pós-parto, porque, diz a fisioterapeuta, há estudos a provar que os gastos públicos devido à incontinência são elevadíssimos. "Em alguns países, estes gastos são mais elevados do que na área cardíaca."

Os exercícios Kegel são tão fáceis de fazer que não há quem entenda a resistência de algumas mulheres. Podem ser feitos no autocarro, no trabalho, na escola... Ninguém percebe que uma mulher os está a fazer.

Teresinha Simões aponta um dedo às mulheres, que se preocupam em ter a barriga lisa, em usar cremes para evitar a flacidez da pele do rosto, mas que não pensam no que não vêem.

Outra queixa, de Isabel Ramos, também dirigida às mulheres: "Muitas só quando a situação já compromete a sua vida sexual, familiar e profissional é que procuram os médicos."

Teresa Barros, reformada de 68 anos e mãe de dois filhos adultos nascidos de cesariana, sofre de incontinência urinária. "Quando me rio muito, ou quando faço alguma força, faço mesmo chichi. De resto são umas pinguinhas."

Neste caso houve falta de informação. Em Angola, onde os filhos nasceram, os médicos falaram-lhe dos exercícios de Kegel. Nunca os fez. Em Portugal, o urologista teve com ela a mesma conversa e aconselhou a cirurgia. Optou por não ser operada. Usa pensos higiénicos no dia-a-dia e nunca ouviu falar da "vagina deprimida" - outro ensinamento de O Sexo e a Cidade.

03 Janeiro 2011

Enfermeiros manifestam-se contra regulamento interno do Hospital de Tondela

fonte: JN

Mais de 40 enfermeiros concentraram-se hoje à entrada do Hospital de Tondela, em protesto contra um regulamento interno que lhes altera os horários de trabalho e termina com a lista de profissionais disponíveis para transferências inter-hospitalares.

Apesar da chuva, mais de quatro dezenas de enfermeiros concentraram-se ao longo da manhã junto à entrada principal do Hospital Cândido de Figueiredo, em Tondela, onde foi colocada uma faixa onde se lia "contra a arrogância e prepotência, os enfermeiros dizem não ao regulamento interno".

Vítor Duarte, enfermeiro há 13 anos, contou que a criação do regulamento interno a alterar os horários de trabalho, por parte do conselho de administração do hospital, deixou a maior parte dos colegas desmotivados.

"Tínhamos um horário com turnos de oito horas e agora só há dois turnos de sete horas, o que fez com que a partir das 22 horas só fique um enfermeiro por serviço, quando antes eram dois no mínimo", informou.

Conceição Ferreira, enfermeira há 11 anos, lamenta que esta orientação tenha sido decidida sem que tivessem sido consultados.

"Com estas alterações, não se fazem as 11 horas de intervalo entre turnos que deveria haver", alegou.

Além da mudança dos horários de trabalho, que consideram acontecer por "meras razões economicistas", os enfermeiros do hospital de Tondela criticam ainda o fim da lista de profissionais disponíveis para transferências inter-hospitalares.

O dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, Alfredo Gomes, explicou que esta medida faz com que os enfermeiros que estejam a trabalhar tenham que abandonar o serviço para acompanhar doentes a outras unidades de saúde.

Apontou o caso do período nocturno, em que só está um enfermeiro por serviço e em que uma possível saída deixaria o serviço sem qualquer enfermeiro.

"As orientações que estamos a dar aos enfermeiros é que numa situação de transferência de doentes, nunca abandone o serviço sem ter um outro enfermeiro para o substituir", informou.

Alfredo Gomes explicou ainda que os enfermeiros estão descontentes com a situação criada pela unidade de cuidados continuados, que foi construída, mas não está em funcionamento.

"O Hospital de Tondela esteve encerrado um ano e tal e gastou mais de um milhão de euros para abrir uma unidade de cuidados continuados, chumbada pela Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, porque não tem o mínimo de condições", criticou.

Alfredo Gomes aproveitou ainda para se congratular com o facto de, durante o dia de hoje, já ter sido resolvida uma das questões que os trouxe à rua.

"Os dois enfermeiros contratados, que cessaram o seu contrato a 31 de Dezembro e ficariam desempregados, já foram contactados no sentido de realizarem um contrato individual de trabalho", concluiu.

Contactado pelos jornalistas o conselho de administração respondeu através da secretária, afirmando-se indisponível para prestar esclarecimentos.

Tribunal de Contas diz que há "despesismo injustificado" na Saúde

O Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) gastou milhares de euros em prémios injustificados, revela uma auditoria do Tribunal de Contas, hoje revelada pelo jornal "i". Tribunal de Contas diz que há "despesismo injustificado"

Segundo o Tribunal de Contas (TC), os bónus de 130 mil euros atribuídos aos três diretores comerciais são exemplos de "despesismo injustificado": "Considerando que 90 por cento do volume de negócios do SUCH respeita a entidades públicas, o risco de incobrabilidade de dívidas é muito reduzido, pelo que a atribuição de prémios de cobrança não acautela a boa gestão dos recursos, redundando num despesismo injustificado", escreve o TC, citado pelo "i".

Para além da atribuição de prémios injustificados, houve distribuição de carros a administradores e colaboradores e o pagamento de despesas de representação 14 vezes por ano, facto que é contrário a uma resolução do Conselho de Ministros de 2005, que fixou em 12 meses o abono de despesas de representação.

Segundo a auditoria do Tribunal, citada pelo "i", na altura estavam atribuídas 25 viaturas a membros do conselho de administração e colaboradores do SUCH para fins "que não exclusivamente profissionais". Entre estes carros contam-se "viaturas com cilindrada superior a 2.0 e igual ou inferior a 2.7", com "valores de renting mensais entre os 800 e os 1150 euros e sem limites anuais de despesas".

No seu relatório, o Tribunal de Contas recomenda ao Governo que deve ponderar a alteração da natureza jurídica do SUCH, "tendo em consideração que o mesmo não desempenha fins beneficentes ou humanitários ou de assistência e de educação que caracterizam as pessoas colectivas de utilidade pública administrativa". Se for caso disso, diz o relatório, o Governo deve proceder às alterações legislativas necessárias que permitam esta mudança de natureza jurídica.

Para o Conselho de Administração do SUCH, o relatório faz uma recomendação mais simples e directa: "Diligenciar pela diminuição dos custos de estrutura, nomeadamente com a atribuição e o pagamento de despesas com viaturas, com os montantes pagos a título de prémios e com o recurso a pareceres e consultoria externa."