31 Agosto 2010

Enfermeiro explica enfermagem a intelectuais


Um pouco à moda de um blogue de um médico (agora de férias parece-me...) queria deixar aqui um pequeno exemplo da forma distinta mas complementar como um enfermeiro e um médico olham para uma mesma pessoa, isto apenas para ajudar a compreender um pouco os paradigmas diferentes que ambas as profissões vivem.


Para o médico:(São 8:00) O sr António tem 58 anos e iniciou dor torácica(restrosternal) tipo aperto pelas 7:00, de duração10 min após subir lanço de escadas acompanhada de tonturas. Dor aliviou espontaneamente após 10 min e agora novamente com dor pelo que recorreu à Urgência.
Eupneico
Corado e hidratado
AP e AC normal
SV: TA 200/120mmHg ; FC 90bpm; FR 20cpm; Taur:36.5ºC
Comorbilidades: HTA; DM tipo II; obesidade e hábitos tabágicos pesados (40 cigarros/dia); Doença arterial periférica
Antecedentes pessoais: cirurgia a hérnia inguinal aos 43 anos sem complicações;
Medicação habitual:a esposa é que sabe
Plano: Hemograma; função renal + enzimas hepáticas e cardíacas; ECG e rx tórax
Oxigenoterapia; DNI 5mg


Para o Enfermeiro: (são 7:55) O sr António tem 58 anos e iniciou dor na região retrosternal tipo aperto , com duração de 10 min pelas 7:00 após esforço moderado. Dado saber que poderia ser sintomatologia compatível com EAM resolveu descansar para melhorar da dor. Dado não sentir melhoras resolveu vir sozinho para o SU. A esposa vem a caminho e é esta quem gere a toma de medicação do utente. Filho de 26 anos já vive sozinho e não sabe que o pai está no Hospital.
Bom estado geral mas com IMC de 30 (1,74 cm de altura e 90 kg)

À entrada está aparentemente eupneico. Colocada oxigenoterapia a 4 L min por cânula nasal ( a prescrição era omissa quanto ao FiO2) e dado estar ansioso a máscara facial poderia ser um factor de desconforto.
Foram avaliados os SV que o médico registou dado que neste momento o enfermeiro está a colocar o utente numa posição de conforto e repouso (deitado para fazer o ECG que será posteriormente pedido).
Colocado um acesso venoso periférico 20 G no antebraço esquerdo (se eventualmente for ao serviço de Hemodinâmica o operador está colocado à direita) e colhe 3 tubos de sangue (ainda não prescritos mas que serão H+ Bq geral+ enzimas cardíacas; não colhe estudo de coagulação porque não faz anticoagulantes nem aparenta distúrbios da coagulação).

Entretanto fez-se o ECG: com supradesnivelamento nas derivações DII DIII e aVf. Dada alta probabilidade de estar a ter EAM com supra de ST, manter dor e manter HTA é inquirido médico sobre a necessidade de fazer morfina EV(que foi diluída numa concentração fácil de dosear ou seja 1mg/mL e AAS 250 mg mastigado sendo que este prescreve no exacto momento em que o enfermeiro já tem a medicação consigo.
Procura saber se a esposa já está no SU para melhor informar da terapêutica habitual do utente e como o médico irá chamar equipa de prevenção da Hemodinâmica para realização de cateterismo de Urgência o enfermeiro pede ao auxiliar para chamar esposa junto do utente para recolher valores (roupa por ex ) e uma vez junto da esposa (já com a informação do plano) informa-a e ao utente simultaneamente do procedimento e diz-lhe para comunicar ao filho o que se estava a passar(mas com calma não vá ele vir a acelerar no seu Golf) que irá acontecer uma vez que o utente está ansioso e os médicos apenas disseram que iria fazer um exame para destapar uma veia do coração por causa de estar a ter um enfarte.

Monitorizou o doente e informou restante equipa de enfermagem para se adaptarem à necessidade de ele ficar em exclusivo com este utente sem situação crítica

Não detalhando mais... O enfermeiro, em todo este processo pensou no quê?
A apresentação inicial dum utente a entrar.
Na família e forma de esta ajudar o utente e a equipa de saúde.
Procedimentos técnicos a adoptar em caso de um utente estar com dor torácica
Previu a actuação do médico (MCDT's e farmacoterapia).
Acomodação do utente de forma a minorar isquemia e preparação para MCDT's.
Reparou que o doente apresentava dificuldade na marcha devido a claudicação e providenciou ajuda do auxiliar e do próprio enfermeiro para acomodar o utente.
Complementou o médico na prescrição de atitudes terapêuticas que ficaram omissas.
Preparou o utente para tratamento posterior (intervenções por parte da Cardiologia de Intervenção).
Manteve o utente a par dos cuidados actuais a prestar e actuação da equipa de saúde.
Serviu como gestor de cuidados ao interligar técnico de cardiopneumologia, médico, auxiliares, restantes enfermeiros e família.
Apercebeu-se de que o utente estava familiarizado com sintomatologia de doença cardiovascular mas não estava a cumprir medidas não farmacológicas de redução dos factores de risco cardiovascular assim como tinha negligenciado a toma de medicação ao entregar a responsabilidade da gestão da medicação à esposa pelo que é um utente que deverá ser encaminhado para o enfermeiro de família no futuro e no futuro próximo deve ser vincado este facto à equipa de enfermagem do serviço de Cardiologia.

Provavelmente negligenciei alguns aspectos mas espero que tenha dado para perceber a coisa... Que os enfermeiros se concentram naquilo que é a forma como o utente vivencia a sua situação de doença/saúde e o modo como ele pode ser ajudado a ultrapassá-la... Um "palavreado muito psicossocial" mas uma actuação baseada na ciência , eficiente e eficaz... Um verdadeiro gestor da saúde!

30 Agosto 2010

Informação aos Enfermeiros

1 – Os Sindicatos Independente Profissionais de Enfermagem – SIPE e Sindicato dos Enfermeiros – SE (FENSE), para quem não saiba e para que conste continuam na linha da frente a trabalhar, exclusivamente para a Enfermagem, no que se reporta aos seus legítimos direitos e interesses.

2 – O nosso passado não deixa dúvidas acerca das posições que nos momentos mais difíceis da profissão temos assumido.

3 – É chegado o momento de dizermos basta a tanta desconsideração levada à prática pelo Ministério da Saúde com a conivência do Governo.

4 – Estamos a envidar todos os esforços para anular a eficácia do diploma aprovado pelo Governo aos dias 26/8/2010, referente a tabelas remuneratórias e outras matérias que constituem verdadeiras provocações e mentiras. Pois, os Enfermeiros, admitidos nas funções públicas, não podem auferir mais que 1020 Euros até 2014.

5 – Se estes nossos esforços burocráticos não atingirem os efeitos pretendidos, informamos que temos de passar à fase seguinte que:
5.1 – Se iniciará com Fórum Nacional em local de fácil acesso e garantia de espaço para todos poderem participar;
5.2 – Nesse fórum serão definidas as formas de luta, que vão das mais simples ás mais radicais, que demonstrem o real valor da presença e imprescindibilidade dos Enfermeiros, na assistência á população.

6 – É óbvio que as lutas que os Enfermeiros têm praticado não passam de simulacros de Greve que, para além da perda do seu vencimento, não têm atingido o objectivo fundamental que é demonstrar à população a falta dos seus cuidados, pois nem as rotinas desses cuidados têm sido sacrificadas. As formas de luta que se impõem terão de ser necessariamente diferentes, para demonstrarem a importância do serviço de enfermagem, ora isto requerer a participação de todos.

7 – Para aguçar o vosso apetite para as lutas, basta lembrar o misérrimo salário que nos pretendem atribuir:
7.1 – Enfermeiro 1020 Euros
7.2 – Enfermeiro Graduado 1200 Euros
7.3 – Restantes categorias o insulto ainda é pior.
Razão por que o SIPE + SE (FENSE) conscientes do seu dever Sindical não pararão as lutas , até que a sua proposta remuneratória e outras matérias indexadas sejam aceites, porque são as que minimamente fazem, de forma equilibrada no contexto nacional justiça à licenciatura especial de Enfermagem.

Sugerimos que se mantenham constantemente atentos dada a gravidade extrema da situação.

27 Agosto 2010

Enfermeiros contra diploma do Governo

fonte: Diário das Beiras

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) atribuiu cartão vermelho ao decreto lei, aprovado ontem pelo Governo, que adapta a carreira especial de enfermagem às “actuais exigências académicas” para ingresso na profissão.

O documento estabelece novas regras quanto ao número de posições remuneratórias e início da carreira de enfermagem. O SEP discorda do decreto e afirma que estas mudanças foram impostas “pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério das Finanças” durante um pretenso “processo negocial”.

O Governo respondeu pela voz do secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: “Trata-se fundamentalmente de adaptar a carreira de enfermagem à circunstância de estes profissionais terem passado a ter um regime de acesso à profissão que exige mais especialização e mais conhecimentos, nomeadamente a licenciatura”, explicou João Tiago Silveira, no final do Conselho de Ministros.

O diploma define também o rácio a observar para efeitos de previsão, nos respectivos mapas de pessoal, de postos de trabalho a ocupar por enfermeiros principais, de entre os quais são, posteriormente, recrutados aqueles que desempenham funções de direcção e chefia.

É ainda descrito o regime da carreira especial de enfermagem, bem como os requisitos de habilitação profissional e a previsão das categorias de enfermeiro-chefe e de enfermeiro-supervisor.

Sobre estes rácios, a dirigente do SEP, Guadalupe Simões, diz que, embora o Ministério da Saúde se tenha aproximado da exigência dos sindicatos, a verdade é que não foram atingindos os “valores que se pretendiam na altura”.

“Essa foi a razão pela qual não estabelecemos acordo”, justifica a sindicalista. Guadalupe Simões sublinha que, “mais cedo ou mais tarde”, este diploma vai ter de ser “alterado”.

26 Agosto 2010

Comunicado Urgente - Subscrevam Petição

por: José Azevedo


É chegado o momento de manifestarem o vosso repudio relativamente à decisão unilateral aprovada hoje em Conselho de Ministros, referente ao Decreto-Lei que estabelece o número de posições remuneratórias das categorias da Carreira Especial de Enfermagem.

Este Decreto-Lei identifica os respectivos níveis da Tabela Remuneratória única e procede à primeira alteração aos Decretos-Lei Nº 247/2009 e 248/2009, de 22 de Setembro.

Solicita-se com urgência que participem na petição on-line lançada por nós com vista a reforçar o pedido de audiência hoje efectuado a sua Excelência, o Presidente da República, para que o mesmo não promulgue o referido Decreto.

Em causa está o presente e o futuro da profissão de Enfermagem, da qual nos devemos orgulhar e que é o motivo da nossa união.

Para participar na Petição Online por favor cliquem aqui.

Divulguem a Petição

25 Agosto 2010

Assalto à Enfermagem em época de férias para ver se nos apanham despercebidos?

MS criou uma portaria que é um atentado à nossa autonomia mas ao que parece vai corrigi-la brevemente.

A Enfermagem é uma ciência apetecida por todos!!! Há quem promova Cursos de Administração de Injectáveis? Ver Jornal do Centro Pág.8.

10 Agosto 2010

O lado de lá do blog Doutor Enfermeiro...


"O lado de cá do blog Doutor Enfermeiro...

É fácil constatar que a Enfermagem se tem debatido com bastantes problemas, alguns deles majors, com os quais tem sido difícil lidar, dificultando o apuramento da respectiva dignidade e a consecução de alguns objectivos primordiais para a classe.
Recebo imensos e-mails e comentários de alguns colegas, desiludidos e desmotivados, que num momento de desabafo, afirmam o seu desejo (compreendo que, logicamente, seja exacerbado pela conjuntura) em ver o DE envolvido num qualquer movimento de luta dignitária.

Habitualmente escrevo neste blog as minhas críticas, as minhas opiniões, os meus pensamentos e as minhas posições referentes a qualquer assunto inerente à Enfermagem. Isto é fácil e tem uma denominação: crítica de sofá. Mas... será apenas isto que o blog e o DE têm para oferecer? Será só isto (navegar no mar da passividade)? Diagnosticar os problemas não será assim tão complexo, certamente que muitas dificuldades surgem na operacionalização e consubstanciação das soluções propostas.

Aproveito, hoje, para informar que o DE está na corrida à Ordem dos Enfermeiros, mas... de uma forma muito especial! (não se esqueçam deste especial, não quero que digam que não houve "aviso"!)
Daqui a 276 dias compreenderão como se reuniram as pessoas (alguns dos nomes mais sonantes da profissão - a angariação continua...), como se conseguiram as verbas, e como se conjugou o interesse de várias personalidades (de lutar pela respectiva profissão) de uma forma isenta, sem interesses secundários, mas com muita motivação e uma força de vontade férrea.

Entretanto, até lá, a vida vai ter de continuar..."

Tens todo o nosso apoio Doutor Enfermeiro...

Cobiçados "lá fora" e desvalorizados "cá dentro"...

fonte: RR
por: Ana Carrilho

Pelo menos três mil enfermeiros escolhem países como Espanha, França, Suíça, Inglaterra ou Irlanda para trabalhar e seguir carreira.

Espanha, França, Suíça, Inglaterra e Irlanda são os principais destinos de quase três mil enfermeiros portugueses. A maioria é jovem licenciada que não consegue emprego ou quando o conseguem, é por baixos salários e em condições precárias. A “qualidade e segurança” dos serviços de saúde que prestam, segundo Pedro Frias, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, fazem com que os profissionais portugueses sejam dos mais “cobiçados” na Europa e no mundo.

“Os enfermeiros portugueses são hoje dos enfermeiros mais cobiçados a nível europeu e até a nível mundial”, explicou Pedro Frias, exactamente, porque têm uma “formação base que lhes permite depois, em contextos de trabalho, transmitir uma grande qualidade e uma grande segurança”.

Fruto dessa qualidade, há enfermeiros que conseguem bons salários, boas condições de trabalho e perspectivas de carreira lá fora.

“Alguns conseguem auferir vencimentos, no estrangeiro, que são bastante aliciantes para um jovem” sublinhou Pedro Frias, quando comparados com os vencimentos dos enfermeiros em Portugal, que, explicou, são “abaixo de qualquer outro licenciado na Função Pública”.

Muitos dos enfermeiros seguem para outros países através de empresas de recrutamento. Aliás, nos últimos tempos, têm sido vários os anúncios divulgados. No entanto, é preciso ter cuidados porque, como advertiu o enfermeiro Pedro Frias, “há algumas situações e algumas empresas em que nós acreditamos. Há outras em que não acreditamos de todo”.

Essa é uma das razões que leva o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses a não publicitar as ofertas de emprego, embora individualmente possa dar conta das experiências de outros profissionais e ajudar os candidatos a ter cautela nas escolhas e nas condições que aceita.

04 Agosto 2010

IEFP quer médicos e enfermeiros fora do “Programa Estágios”

O presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino, defende que os médicos e os enfermeiros não devem integrar o programa de estágios profissionais parcialmente pago pelo Estado, já que, diz, a contratação destes profissionais «não muda em função de haver ou não o apoio» público.

«Está em cima da mesa uma proposta [feitas pelo IEFP à tutela do Ministério do Trabalho] que é que as profissões das áreas médicas não sejam abrangidas pelo “Programa Estágios”», afirmou, esta quarta-feira, Francisco Madelino, em declarações reproduzidas pela edição online do i. Segundo o presidente do IEFP, a proposta agora apresentada justifica-se «devido a problemas que surgiram com os hospitais que passaram a ter [regras de] gestão privada e que recorreram em grande número a propostas de estágios para médicos, e até enfermeiros».

«Isso não é útil do ponto de vista da política pública, porque essas contratações verificam-se quer haja ou não apoios» do Estado, sublinha.