
fonte: Doutor Enfermeiro
Comentador (HESE, EPE (Évora)) disse...
"No meu serviço, trabalhamos 2 pessoas para 27 doentes, no turno da tarde... Somos também 2 (DOIS) em dia de SIGIC... claro que na Noite somos (sou) 1 (UM; ONE;)!"
Comentador anónimo disse...
"Coisas dessas ou semelhantes vão acontecendo por todo o lado. E nem imaginam o que se ganha com o SIGIC...
Mas os Enfermeiros continuam a fazer cliques nas estúpidas intervenções do SAPE a afirmar que tudo o que estava planeado foi feito, há quem passe mais tempo no computador do que com os doentes, aliás se colocarem cinco Enfermeiros no turno da tarde de um dia e noutro 2 verificar-se-á que (pelos registos) fizeram o mesmo trabalho! É que o pessoal a fazer cliques com o rato é bom, pelo menos no meu hospital!!
Assim não vamos a lado nenhum, na enfermagem o centro dos cuidados e das prioridades está a deixar de ser o doente.
Eu já trabalho há mais de 25 anos e garanto aos mais novos que a generalidade dos Enfermeiros eram bem mais respeitados antigamente, nos tempos em que era o tal modelo bio-médico e que o que interessava era o doente e não se escrevia quase nada. Claro que se tem que se escrever, outros tempos, mas depois de ler um plano de Enfermagem que uma jovem colega airosa me mostrou fiquei sem saber se devia rir ou chorar:
- Vigiar a acção do doente (que raio de intervenção esta...);
- Manter o cadeirão travado (parece que o pessoal é mesmo burro e deixa os cadeirões todos destravados, ainda bem que escrevem isto e parece-me que em todos os doentes... ainda para mais é uma intervenção muito específica da Enfermagem quem quiser travar um cadeirão chame um Enfermeiro - só não sei se existe a intervenção destravar o cadeirão???).
Deixo só estas duas pérolas da Enfermagem moderna, mas a folha que tenho em meu poder tem mais e tirei estas como podia tirar outras, são quase todas uma verdadeira palhaçada e parece uma lista de tarefas de AAM...
Será que os doentes ganham algo com isto?
O tempo que passam a clicar nisto em todos os turnos (!!!!) a todos os doentes (!!!) talvez desse para vigiar mais e melhor os doentes, para travar cadeirões e destravar outros, orientar as AAM em muitas das actividades banais e rotineiras que aparecem, estudar um pouco em casa e no trabalho aproveitando o potencial dos computadores e da internet a sério e apostar a sério na formação em serviço. É que, com a minha idade, qualquer dia posso precisar de um Enfermeiro a sério!"
Tem razão sim senhor. Muita razão. Invenções acéfalas são uma consequência da ânsia desmesurada em nos afastar da ciência e do modelo bio-médico (que não é necessariamente sinónimo de desumanização, anti-holismo, etc.)!
É que, colegas, os Enfermeiros já não são (nem nunca foram) os únicos adeptos do holismo! Já é possível ver leccionadas estas matérias em quase todos os cursos de saúde (incluíndo cursos técnicos e medicina)! Se era este o caminho para nos afirmarmos como autónomos, a paragem do autocarro... está cheia. O caminho passa por aqui, mas não é o destino.
Alguns Comentários:
1#
No meu serviço se não efectuamos os registos (as tais bolinhas CIPE/SAPE) por limitação de tempo corremos o risco de sermos enxovalhados pela nossa chefe. Compreende-se perfeitamente que um enfermeiro tenha uma média de 13 doentes (manhã), 17 (tarde) e 20 (noite) e consiga fazer registos, alterar o plano e OLHAR PARA OS DOENTES! Das duas uma: ou faço registos bonitinhos para evitar não conformidades ou então PRESTO CUIDADOS com cabeça, tronco e membros!
Inclusivé chego a ouvir pérolas deste género: "Se (na manhã) não se der a "volta" das 15h não há problema; o que interessa é completar o CIPE/SAPE".
Está certo!
Até já estou a ponderar deixar de dar terapêutica das 15h para ter tempo de colocar umas intervençõezinhas novas...
Fora estes comentários infelizes de alguém que não presta cuidados (nem está numa maca há espera deles!) acho que o CIPE/SAPE é um mais valia por ser uma linguagem universal e por simplificar a elaboração do plano de cuidados. Agora, cabe a cada um filtrar o que acha mais importante para si. Por exemplo: que raio de intervenção é esta "Prestar os cuidados da tarde" (inserida no fenómeno higiene)?
2#
Acrescento ainda aquela intervenção do "optimizar a fralda"!
E tudo o resto parecem é intervenções para os auxiliares.
E ciência? O aborto é um tipo de nascimento com característixcas muito especificas de facto!!!
Aliás, esses cliques na medicação p.e., de nada confirmam.
Assinala-se ou regista-se a medicação que não foi administrada e porquê, em vez de clicar em tudo, e dp passar o turno ao colega o pq de não ter administrado (efeitos secundários, etc.)!
E concordo com o nosso holismo e as teorias "humanitárias", porque no fundo sempre tivemos razão, por isso é que "eles" vêm buscar o nosso trigo para amassar o seu próprio pão! Agora, não se deve entender este humanismo com o simples e aberrante "dar a mão". É prático, simples e extremamente eficaz.
Mas deixar o bio-médico para trás, é enterrar a enfermagem.
De facto, se não formos activos para tratar o doente, então para nada servimos.
E há intervenções que devido a responsabilidades que não se têm, mas que se querem, e devido a éticas da treta e afins, se relegam essas mesmas actividades para quem é da competência (p.e.: médico coloca CVC, é médico que retira. Enf recusa retirar CVC pq não é empregado. MAs pela história da enfermagem, se calhar agora o enf retirava o dito cujo, e daqui a alguns anos até colocava! Assim se passa em muitas nefrologias, onde enfs canalizam acessos centrais).
A autonomia essa via em muitos enfermeiros há 30 anos. E suturavam, abriam, cortavam, tratavam, colocavam gessos, enfim, todo um rol de actividades que todos pensam que ainda hoje se faz, mas que dp do curso ficam a pensar onde é que está a enfermagem!
4#
Srª Enfª, permita-me discordar da ideia de que o modelo biomédico não é anti-holista, pois na verdade segui-lo é continuar a promover nas ciências da saúde uma visão fragmentada, centrada no tratamento médico e perfeitamente à margem da Declaração de Veneza.
Dizer que o paradigma holístico não é exclusivo da enfermagem é uma redundância visto que todos sabemos que estamos a falar de formas de pensar cuja génese vem da Antiguidade; não foram os enfermeiros que o inventaram, mas souberam (e bem) integrar os seus pressupostos naquilo que define as Ciências de Enfermagem, com benefícios para o cidadão, para a profissão e para a saúde em geral; incorporar uma visão holística/ecológica/sistémica nos cuidados não é nada de ridículo; é um desafio que nos responsabiliza perante a sociedade e nos compromete perante o cidadão. Não esqueçamos porém que isso obriga a que usemos essa mesma visão não apenas quando olhamos de dentro para fora da profissão, mas também de modo a que quando os outros olham de fora para dentro percepcionem a nossa razão de existir, e especialmente que quando olhemos de dentro para dentro sejamos capazes de compreender a necessidade de desenvolver a nossa actividade de forma equilibrada entre aquilo que é intrínsecamente técnico, o que se crê objectivamente científico e tudo o resto que faz parte das misérias e das alegrias humanas.
Só para concluir diria que a tendência actual da Enfermagem portuguesa não se enquadra naquilo que se supõe ser a pós-modernidade, pois se assim fosse estaríamos perante horizontes bem mais alargados e espíritos muito mais tolerantes à diferença.
E qual a necessidade de estar sempre a meter a bolinha na cabeceira elevada todos os turnos? Passa-se muitas vezes a vida a validar o que na realidade não se faz e devia fazer...o que interessa é o que está nos registos.
Eu quero ver quando houver um problema a sério, como vão justificar que afinal não fizeram isto e aquilo, mas estava registado...inventam tanto!!
A intervenção de manter a pele seca é também brilhante, princpalmente quando logo aparece outra a dizer para aplicar creme hidratante. Eu até percebo que tenha alguma utilidade num contexto específico, num caso específico...será que há enfermeiros que não sabem que se deve secar bem a pele, principalmente nas pregas cutâneas e é preciso escrever isto todos os turnos, quase a toda a hora!!!
Depois há quem entre com EAP, ICC, IHC e tenha 2 litros de água para beber por dia pois faz parte do carimbo informático...eu cá acho que este SAPE/CIPE estupidifica muitos enfermeiros!!
5#
Os "cuidados da tarde" inseridos na higiene são o que antigamente se fazia (em muitos) serviços de internamento: cuidados de higiene sumários para maior conforto do doente acamado, realizados no turno da tarde.
Isso agora é ridículo porque o correcto é, quanto muito, mudar fraldas. Mudar ou trocar, de preferência virando o doente de lado sem o avisar e puxar a fralda suja (que nunca se rasga nem faz abrasões na pele) para não perder tempo. Quanto muito usar toalhetes ou uma esponjinha húmida para não dizer que não se passou nada na pele cheia de urina seca ou empapada no suor.
Ridículo mesmo é ter uma pessoa que urina para a fralda, lavar a sua pele com água verdadeira e sabão, secar, passar um creme, colocar uma fralda nova, e... cúmulo do ridículo... antes de mudar a roupa da cama, limpar o colchão de modo a tirar os restos de porcaria que ali se vão depositando de turno para turno.
Quando não se percebem os fundamentos, dificilmente se compreende a razão de ser das coisas.
6#
Não podia estar mais de acordo. Sou recém licenciado e desde praticamente o início do curso que sou da mesma opinião. Iniciei o meu contacto com a área da saúde como socorrista da cruz vermelha, e a determinada altura decidi fazer o curso de enfermagem porque para além de sentir necessidade de mais e melhor conhecimento, do tipo que é fundamentado com bases científicas e teorias validadas pela evidência, admirava alguns dos enfermeiros do pré-hospitalar com que me cruzava no dia-a-dia pela sua aparente capacidade técnica e conhecimento (apesar de muitos me tratarem, passe a expressão, como "um monte de merda" apenas porque não pertencia à grande classe da enfermagem a que me habituei a chamar de "iluminados" por essa e outras razões). Com o andar do curso, e a passagem pelo diversos ensinos clínicos, acabei por constatar que a realidade era muito diferente. Uma realidade em que o conhecimento científico era menosprezado em prol de planos de cuidados da treta e estudos de caso todos diferentes, mas infelizmente todos iguais. Esqueçam lá a anatomia, a fisiologia / fisiopatologia ou a farmacologia / farmacoterapia. O que interessa é a relação de ajuda, e a comunicação, e os trabalhos de investigação (qualitativos claro!) à base de questionários mais cruzinha menos cruzinha. Infelizmente não foram poucas as vezes que vi o meu esforço para adquir e manter o tal conhecimento de que falo, completamente frustrado com análises arrogantes da minha personalidade, sempre demasiado intromissivas na minha vida privada, como se a enfermagem se tratasse de uma espécie de percurso religioso e não uma profissão onde se exige que as pessoas saibam o que estão a fazer... É claro que não incluo nesta descrição a totalidade dos enfermeiros que conheci, até porque, apesar de tudo continuo enfermeiro. Mas a verdade é que sinto que cada vez mais a enfermagem é vista exactamente da maneira com que ninguém parece concordar, ou pelo menos admitir, como uma espécie de profissão auxiliar de quem realmente sabe o que os doentes (perdão clientes. ou devo dizer utentes? ou...???)precisam: os médicos. É triste, mas é assim. Por muitos exemplos nobres que possam apresentar, de enfermeiros que isto e enfermeiros que aquilo, a realidade é que ser enfermeiro hoje é cada vez mais ser um profissional vazio de competências valorizadas por uma autonomia responsável e certificada por um conhecimento inequívoco e transversal a toda a classe, uma realidade onde não se realizam colheitas ou se fazem ecg's porque é um trabalho menor, e onde não se colocam CVC's ou drenagens pleurais porque é trabalho de muita monta e ai jesus ter de saber essas coisas todas que os médicos e os seus superiores, os cirurgiões, aprendem nessa catedral que é a escola de medicina (ai que é tão difícil ler livros e assim...).
No fundo, administra-se, limpa-se, e avisa-se o médico quando é preciso(até porque para o resto existem os verdadeiros técnicos de saúde: médicos; cardiopneumologistas; nutricionistas; dietistas; analistas... enfim, aquela malta que teve matemáticas, bioquímicas e outras coisas horríveis e mázonas na faculdade... e alguns mesmo á séria assim com primitivas e ciclos de cori e não sei mais quê... valha-me deus!!!).
7#
De facto a CIPE tem mtas lacunas de implementação m axo k q e a forma de dar visibilidade a nossa profissao, seja ela positiva ou negativa...pk a CIPE tb vai permitir identificatr k n foram feitas X intervenções pk n houve recursos temporais ou de pessoal. logo n devemos assinar so pk gostamos de clicar no botaõ do rato, alias em termos juridicos e uma ilegalidade porque as pessoas estão a registar algo k n efectuaram. Claro k n ajuda ter um superior hierarquico que nos diz k os cliques são mais importantes que os cuidados de enfermagem, talves qd esse alguem tiver internado se lhe possa dizer k n lhe podemos dar a volta das 15h pk temos de fazer registos, talvez ai essa pessoa percebesse...