
fonte: www.enfermeiros.pt
por: José Azevedo
Fomos surpreendidos com mais uma manobra de aproveitamento do grupo TAE. Já falam em “carreira especial” e tudo.O MS está muito pródigo para todos, que não sejam os enfermeiros. Com efeito, prometeram-lhes contratar mais 500 elementos e a carreira. Aqui é que a porca torce o rabo.
A designação de “carreira especial”, expressão que supomos da exclusiva responsabilidade do dirigente do Sindicato dos Tae, vão juntando a de “paramédicos”.
O presidente do INEM vai consultando escolas com falta de alunos (ele e nós sabemos quais), que divulgaremos a seu tempo, quando o escândalo estiver prestes a ser público, se o for o que duvidamos, pois os enfermeiros dessas escolas, a quem estão a pedir colaboração, estão a perceber a manobra.
Não vai ser um processo fácil nem exequível, pois se fazem falta condutores de ambulâncias, ou maqueiros, para ajudarem a manobrar as macas, contratem-se 500 ou 1000; querem uma carreira, pois faça-se-lhes uma carreira.Porém, fazerem de enfermeiros, a Classe não o vai permitir, pois tem uma Ordem, que vai servir para marcar o terreno a estes aventureiros, que até têm a coragem, digo mesmo atrevimento, de copiar o programa de um curso, decalcando o programa dos cursos de enfermagem.
Também estamos em boa altura de dizer aos responsáveis por tudo isto que se querem fazer paramédicos terão de fazê-los, só para substituírem o médico e não como tem sucedido, com outros que se chamam paramédicos, mas, depois roubam conteúdos aos enfermeiros e não aos médicos, donde provêm (?).
Claro que se as escolas de enfermagem, integradas ou não, em universidades, não usarem a desculpa depenada, em voga, aquando das vacinas nas farmácias, que eram obrigadas a fazer aquilo, (preparar com conhecimentos de enfermagem, os balconeiros de farmácia), se não punham-nas na rua, é coisa que não nos convence. Portanto, se os enfermeiros docentes, ou não docentes, se não prestarem ao papel, seja a que pretexto for, de promoverem o curandeirismo, essa fraude, que se vislumbra, para a assistência na emergência, que se pretende implantar, no INEM e não só, à sombra dos mais humanos princípios, então o processo da carreira fica circunscrito a área que compete a esses trabalhadores, minimamente diferenciados: têm de saber conduzir bem e pegar nas macas, como manda a prudência e a preparação técnica garante. Tudo isto sem entrarem no âmbito da Enfermagem. Se o fizerem, mesmo que não seja do nosso agrado, teremos de denunciar o Estado Português e os seus legítimos responsáveis, por este atropelo, que nada justifica.
Diziam, na hipótese de greve dos TAEs, que se recusavam a transportar suspeitos de gripe A. Mas são os INEMs que transportam esses doentes?
Além das ambulâncias o INEM também vai estender a carreira aos bombeiros voluntários, que de voluntários já nem o nome têm? O namoro às escolas de Enfermagem, para dar cursilhos a TAE, é golpe baixo, que nem o boxe consente.
Circula a tese, que não perfilhamos, mas também não excluímos, por ser demasiado horrenda, “que seria uma forma de os médicos, suficientemente inexperientes, em medicina, e medrosos, perante a desenvoltura técnica dos enfermeiros, demasiado experientes, em situações de urgência, preferirem pessoal mais mal preparado e mais subserviente e medico dependente".
Se o “emergente” não resistir a este trato de polé (não vamos explorar, embora o possamos fazer, nesta altura, as broncas assistenciais com as VMERS de Lisboa, que não tinham enfermeiros e que só a situação de emergência permitiu ficarem sem análise e julgamento adequados), o problema é dele, do sinistrado, pois devia ter tido mais cuidado com o físico, se não queria cair nestas ratoeiras, aparentemente eficazes.E não basta pôr válvulas de segurança e limitadoras de pressão, para reduzir inevitáveis estragos com o uso de balões de respiração manual assistida, por manápulas insensíveis. Não basta apertar o balão; é preciso saber, quando e como; de contrário ventrículo rebenta.
Não devem ser os enfermeiros a afiarem a faca para os degolarem. Por isso se devem acautelar e não se envolverem neste golpe sujo e desnecessário, que não vamos deixar impune, dentro e fora do país. Que ninguém duvide deste aviso e da sua eficácia.
Esperamos que cada um saiba ocupar o seu lugar, sem medo de pressões, para fazerem o que não devem. O assédio não é só sexual. Se assim for, isto é; se alguém forçar enfermeiros a ministrarem o seu saber e arte a estes curandeiros, em potência, cá estamos nós para os defendermos.Não faz sentido estar a adoptar, hoje, medidas do tempo em que havia escassez de enfermeiros, que desculpava muita anomalia. Outro tipo de exploração, mas igualmente reflectida, nos mesmos enfermeiros, é formar muitos para o desemprego. Pagam os cursos a peso de ouro, para conseguirem, em muitos casos, um lugar no desemprego. Não é por acaso que o patrão do INEM não organiza um serviço de enfermagem, claro e sem ambiguidades ou misturas. Também ele tinha muito a aprender e a emergência a beneficiar com isso. Tal como as outras modalidades de assistência, também esta merece organização e não caos, sobretudo, porque exige muita perícia, para fazer coisas certas, no momento exacto e, sobretudo, para a ignorância não permitir fazer o que não se deve fazer, num grau de instabilidade extrema do doente.
Seja qual for o quilate dos oportunismos e oportunistas, é aos enfermeiros que compete defenderem a sua profissão, ameaçada por bicho careta. Revoltemo-nos e demonstremos, por todos os meios ao nosso alcance, os erros nas políticas da saúde, que nos afastam, deliberadamente, do centro das operações. São os enfermeiros que recebem os sinistrados nas urgências. É deles a primeira hora, num serviço de urgências, bem organizado. São os profissionais mais indicados para anteciparem essa recepção, através da assistência pré‑hospitalar, facilitando a recuperação, que começa no local do sinistro.
Mas todos sabem isto, onde podemos incluir, supomos, o presidente do INEM, tão bem como nós; a questão é outra, por isso a devemos atacar pronta e frontalmente.